sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

"Até já..."

“Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós”!
Deverias ser a primeira pessoa a quem deveria dirigir as primeiras palavras, os primeiros textos... e só por ti valeria apena derramar lágrimas, mas sabes que sou fra
ca e como tu dizias “és tão sensível que até chega a doer tanta sensibilidade”.
Já não te vejo á dois anos e um mês mas, por incrível que pareça, consigo sentir-te todos os dias a abraçar-me, a dar-me força e coragem para fazer tudo que acho certo mesmo que com isso saia perdendo , só tu sabias dar tudo que neste momento necessito.
Partiste num dos momentos mais
difíceis e logo tu que me pedias sempre para ficar mais um pouquinho para te contar tudo... eu também te pedi para ficares mais um pouquinho para me dares mais vida mas tu, teimoso como só tu sabias ser, quiseste partir, quiseste ir e ninguém te pode deter, nem mesmo eu que era o teu “orgulho”.
Lembro-me de ouvir desde pequenina que foste o primeiro que consegui pegar-me ao colo sem que eu chorasse, provavelmente nessa altura já sentiria que serias o meu verdadeiro porto seguro. “Esta será a primeira licenciada da família e não morrerei sem a ver crescer”..numa coisa tinhas razão, viste-me crescer em grande parte mas não viste tudo e provavelmente ficarias desiludido comigo por não estar a levar tão asério aquilo que idealizas-te para mim,..Desculpa!
Lembras-te do que fazíamos quando estávamos em tua casa? Eu não poderei esquecer, vi, revi e voltava a ver cada recordação tua sempre que estávamos lá. Como gostavas de mostrar que foste um herói durante a guerra e quantas vidas viste partir diante de ti sem poder fazer nada...talvez tudo que já passaste te tenha moldado o homem que eras (correcção, homem que és, pois tu ainda aqui estás pelo menos para mim estás, embora muitos pareçam ter te esquecido).
Lembro-me da última noite em que estivemos juntos, mesmo antes de te ires embora e nem me teres dito um adeus, pois como sempre dizias “até já minha pequena”. Nessa noite perguntaste-me várias vezes porque me vestia assim, porque usava a cor que menos gostavas, essa cor tão escura que para ti transmitia tristeza e lembro-me também do que me disseste após a minha resposta arrogante “vestes-te de preto agora, quando eu morrer vais usar todas aquelas cores mais fortes só para me contrariar”...juro-te que nunca as usei nem nunca vou usar, prometi a mim mesma que tal como a minha alma, também o meu corpo se vestiria de negro para, pelo menos uma vez, não te contrariar. Recordo-me ainda que nesse dia, no teu último dia, planeaste-o de tal forma, de modo a não falhar nada, a não te esqueceres de nada, como se soubesses que seria a tua despedia...entraste em sítios que nunca tinhas entrado por teimosia, visitaste todos aqueles que mais gostavas, disses-te tudo que querias para o futuro de cada um, recordo cada palavra e conseguiria repeti-las sem a mínima hipótese de errar! de certeza que não mais esquecerei aquela noite, em que pela primeira vez fui me deitar antes de fechares a porta e pediste-me para ficar mais um pouco e não fiquei..não me vou perdoar nunca de não ter aproveitado os últimos minutos contigo!
No dia seguinte, acordei mal disposta como sempre, mas espanto meu quando sentia um aperto enorme, tinha adormecido a ouvir a tua voz e acordei com o choro da minha mãe que só dizia que não conseguia acreditar... não me lembro realmente como me disseram, nem como regi, fechei-me no quarto, fechei os olhos e esperei que fosse mais um pesadelo daqueles..mas quando os voltei abrir era tão real que não podia acreditar que não estarias mais comigo..chorei, admito que sim, saberias que o ia fazer quando não quiseste resistir mais, saberias que iria sofrer mas mesmo assim, teimoso, não quiseste lutar por ti e muito menos por mim. Tive que me despedir de ti embora acreditasse seriamente que era mais um pesadelo, do qual só acreditei quando vi... quando vi aquela imagem com a qual sonhei vezes sem conta durante meses. Todos choravam, hipócritas, acreditas que até aqueles que tão mal te fizeram choravam? Pois, ainda bem que não sentiste as lágrimas deles. Eu, por incrível que pareça não chorei, fiz-me, pela primeira vez, forte como sempre pediste e vi-te ir sem chorar, sem uma lágrima.. Choro apenas quando quero e não quando todos choram ou porque fica bem chorar... chorar não demonstra os sentimentos e não tinha de provar nada a ninguém, só a ti e provei, provei-te que era FORTE!
Visitei-te sempre que me senti mal, sempre que não tinha nada para fazer ou mesmo quando tinha e não me apetecia.. todos os motivos serviam para te visitar.. só me senti bem ao teu lado, só me sinto bem ao teu lado!
Não te posso dizer que me fazes falta pois tu ainda estas comigo, fazes falta a todas estas mentes loucas que me circundam que após teres ido embora têm a lata de festejar e de viver tão hipocritamente.

Não te digo adeus, digo-te apenas “Até já MEU HERÓI”

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