quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

M.

Hoje escrevo-te por descargo de consciência, por a sentir demasiado pesada e, ao mesmo tempo, o coração ferido.
Já me curaste muitas feridas, como eu penso já o ter feito em relação a ti. E da mesma forma que temos (ou tinha-mos ) a capacidade de nos lermos mutuamente, também temos a capacidade de nos ferirmos e de abrir fendas entre nós. Esperamos muito, mais do que seria aceitável.
Mas sabes M. os seres humanos de tão racionais procurarem ser acabam sempre por cometer erros, por ferir, afastar aqueles que os levantam todos os dias.
Há pessoas que não precisam de ser regadas diariamente, que não precisam sentir sempre aquela presença; outras precisam ser regadas dias após dias, ser acarinhadas. Há relações que se mantêm fortes mesmo com a distância, outras simplesmente morrem.
Sei que constrois muito bem o teu castelo só, no entanto eu sei que esperas mais de mim. Dizes-te auto-suficiente, mas queres saber, eu não acredito nisso porque sei te de cor (ou sabia)..

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

02Dezembro2007

Nunca consegui referir-me a ti como se cá já não estivesses, como se não fizesses parte do meu dia-a-dia, como se tivesses desaparecido por completo da minha vida. O corpo desaparece mas a presença mantém-se.
 Está prestes a fazer três anos e a dor não diminui. Tinha esperança que um dia esta ferida cicatrizasse e no lugar dela ficasse apenas lembranças e saudade...mas não! Teima em doer cada vez mais, como se tivesse vontade própria. E as lágrimas, essas nunca secaram. Mas sabes, prefiro ter esta dor comigo e que as lágrimas não sequem, pois caso isso aconteça tenho medo de te ter esquecido.
 Sei de cor tudo aquilo que ao longo da vida me foste ensinando, todas as histórias que me foste contando e sabes, acho que as vou contar sempre a quem me é realmente importante.
 Eu que sou tão má com recordações, ainda hoje me lembro de tudo que me disseste naquele que foi o teu último dia..palavra por palavra, vírgula por vírgula. Como é possível adormecer ouvindo te falar, rir e, depois, acordar e já não te ter? Acordar com aquele terrível silencio que deixas-te!
 Tudo aquilo que me deste são pedaços de vida que comigo partilhaste e esses são os bocadinhos mais preciosos que guardo na minha manta de retalhos.
 Por vezes, tento entender o rumo que a vida nos faz tomar e , sinceramente, revolto-me como tudo aquilo que me fez, com tudo aquilo que me tirou..

"Mesmo que a vida mude os nossos sentidos, e o mundo nos leve para longe de nós, eu vou guardar cada lugar teu ancorado a cada lugar meu" - Sempre 

02 Dezembro 2007

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

*.*

Afinal os trabalhos de psicologia servem para alguma coisa. Nao pude pôr nada sobre ti mas vou te mostrar como prometi.

    -"Assemelho-me a uma manta de retalhos, onde cada retalho representa uma pessoa, um momento, algo importante. Cada um que passa vai deixando em mim um pouquinho de si, e vai me tornando na pessao que sou, o que nem sempre agrada a todos. Mas querem o que? Sou assim! Nunca tive jeito para ser rainha. E, já agora espero morrer como nasci, Humilde!
Se é para falar de mim faz sentido falar neles.
Segundo o que esta registado, sou filha unica, no entanto a vida foi me dando, ou eu fui conquistado, alguns daqueles que carinhosamente chamo por irmaos de sentimentos. Em muitos momentos são eles que estao mais do que qualquer outros.
Se hoje tenho de falar da minha vida, faz sentido que fale nele. Se me assemelho a uma manta de retalhos, ele é um dos retalhos que controi a minha vida.
Por vezes sinto que dou demais às pessoas, mais do que elas merecem, mais do que eu posso dar, mais do que seria aceitavel dar - e não, não sou superior a ninguem! Mas a ele nada é demais!
Confundir amizade com amor? Normal, pois o que seria da amizade sem o amor que a sustenta? A verdadeira amizade tem amor, tem carinho, tem preocupação.
Não me lembro em que momento da minha vida o caminho dele se cruzou com o meu, nem em que rua nos cruzamos. Nem sequer me podem perguntar qual foi a primeira palavra que ouvi dele, ou mesmo a primeira que lhe tenha dito. O que tinha vestido? não sei.
Sinceramente nao me recordo de nada, não sou boa em recordações, pesam demais para mim!
Lembro me apenas que ele existe, que fez e faz parte da minha vida, desde aquele primeiro momento.
Foram muitos os dias que percorri a minha cidade com ele, a nossa cidade, a mais bonita de todas! Foram muitos os cantos onde nos sentamos, onde nos rimos, onde me limpou as lágrimas- e foram tantas as vezes que ate perdi a conta.
Foram muitas as horas que passamos a falar, foram diversos os assuntos, uns com um tom mais serio, outros apenas pelo gosto de falar.
Foram tantos os abraços que me deu, foram tantas as noites em que não me deixou sozinha e esperou até que fosse embora.
A vida tomou o seu rumo e pareceu querer que as nossas ruas se deixassem de cruzar, pareceu ter criado uma fronteira entre o seu mundo e o meu. Mas o que seria da saudade se nao houvesse distancia? Ninguem a sentiria. E eu gosto de sentir saudades dele!
Voltou e a minha manta de retalhos ficou de novo composta, ficou de novo forte e capaz de me aquecer!
Ele é um dos meus irmaos de sentimentos, o que me fez e fará sempre falta. Porque eu nao conseguiria ver se nao tivesse olho! Ele entenderá."

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Hoje, mais do que qualquer dia..

Se há momentos em que preciso mais de ti é agora, é este (este e todos).. mas este eras o que mais precisava.

Tira-me estas duvidas, estas perguntas, estes receios, esta dor.. tira-me tudo que tão mal me faz! Dá-me tudo que prometes-te, tudo que sempre disseste que merecia, tudo que idealizaste para mim. Dá-me!! É agora que preciso de tudo que era meu, de tudo que tinhas para me dar! É agora que mais preciso de ti.

Dá-me de novo a minha inocência, a minha vontade de descobrir mais da vida, pois ela ficou sem qualquer tipo de encanto, dá-me a segurança, a protecção, o colo que sempre me deste. Dá!!

Hoje dá-me tudo por favor!!!

domingo, 6 de junho de 2010

Minha criança *.*

Hoje apetece-me simplesmente falar de ti, de como me transformas sempre que estas por perto.

Vi-te nascer, tão pequenina que nem sei como sobreviveste; fui das primeiras pessoas a pegar-te e tu, como sempre, surpreendeste-me com um dos teus frequentes ataques de gritaria. Começas-te a crescer e vi tanto de mim em ti, vi tanto dos meus sentimentos e ideologias.

Começaste por ser diferente em tudo! Chamaste me tantas vezes para ver a tua “menina do espelho” e como tu brincavas com ela, horas e horas e te interrogavas porque é que ela estava sempre lá quando aparecias, de como é que ela se poderia vestir da mesma forma que tu todos os dias. Ai a tua inocência…

Foste para a escola e não é que gostaste tanto que nunca querias voltar para casa. A forma como te comovias quando vias alguém com menos possibilidades como tu.. Tão pequenina e já tão humana, como é possível?

A primeira vez que sentiste a minha falta e gritas-te “a minha nána, eu quero-a”, não imaginas como me senti. A primeira vez que sentiste que te poderia fugir e o quanto choraste e imploraste para não o fazer, jurando que farias tudo que eu quisesse “juro juradinho”.

O teu sorriso contagia-me, fazes-me ser criança e como eu adoro sentir-me assim!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pensa nisto:

"Será que consegues viver assim sem remorsos,
Quando vês a fome a adormecer aqueles olhos,
Quando vês o sangue a alagar a terra daqueles povos,
E a deixar tudo resumido a desespero e destroços,
Será que ouves os gritos que o sofrimento não cala,
dessa gente que vive entre insónias e estrondos de
balas,
Será que sentes a pulsação do planeta, desacelera,
porque o teu amor por ele nunca chega.
O que é que há para sorrir quando meio mundo sangra?
Como é que tu não olhas quando meio mundo te chama?
Como é que vives sem dar aos teus um minuto?
Diz-me o que é que há pa celebrar quando o mundo tá de
luto?"

sexta-feira, 7 de maio de 2010


Se ca estivesses para a ver, terias sido o primeiro a babar perante tal perfeição, serias tu o primeiro a pegar-lhe, o primeiro a leva-la a passear, o primeiro em tudo…